Por Nilmar Ruiz - 14/10/2009
É com muito pesar, porém sem surpresa, que recebemos a decisão do Conselho Nacional de Educação quanto à manutenção do descredenciamento da Fundação Universidade do Tocantins (Unitins).
O título das matérias publicadas pela imprensa no Tocantins retrata exatamente o desfecho do que o Ministério da Educação (MEC) considerava uma briga, mas para nós representava a continuidade de um trabalho que muito beneficiou o nosso povo. Representava a destruição de um modelo de educação a distância, que mostrou ser eficiente não só para o Tocantins, como para todo o Brasil. Representava a vida de quase 100.000 alunos, que hoje não sabem se vão ou não concluir seus cursos.
Para o MEC é vencer uma briga. Para nós é um retrocesso na história do Tocantins. Uma briga desleal e desigual. O MEC com o poder de decidir o futuro da Unitins, sem aceitar nem acatar nenhum tipo de justificativa, nenhum esforço de mudança, nenhum tipo de acordo.
Os professores, os funcionários e os alunos empreenderam um grande esforço no sentido de avaliar cada procedimento da instituição, detectar as falhas, produzir documentos e promover mudanças. A ação do MEC foi importante no momento em que identificou as disfunções ocorridas nos últimos anos, principalmente no que se referia a parceria Unitins/Eadcon, quanto ao controle acadêmico e pedagógico, que sempre foram atribuições da universidade e que em um momento dessa parceria foi repassado para a Eadcon, assim como grande parte dos recursos. Porém, havia o consenso de se refazer os termos da parceria.
Mais de 60% do que o MEC apontou como irregularidades já tinham sido corrigidas. Todos concordam que a qualidade do ensino é indispensável, mas essa não era a prioridade do MEC. Eram muitos os apelos para que deixassem a Unitins continuar a formar cidadãos.
Em um país em que menos de 13% da população não tem acesso ao ensino superior, é um crime descredenciar uma instituição como a nossa. Governo Estadual, nós parlamentares, professores, alunos, todos tentamos sensibilizar os dirigentes do MEC. O Movimento Pró-Unitins, a Comissão de Educação do Senado, o Governo do Estado, todos buscando solução para salvar a Unitins e fazer com que os alunos pudessem terminar seus cursos na instituição que escolheram. Mas o MEC foi intransigente e inflexível. O que nos resta agora e desejar e trabalhar para que a única alternativa que o MEC da para a Unitins, que é ampliar a Universidade Aberta do Brasil (UAB), não esbarre nos fracassos que a cada momento a imprensa estampa em manchetes: "MEC tem como meta construir 500 creches por ano, mas não chega a 300 os projetos apresentados"; "PROUNI abre as inscrições, mas não consegue atingir a meta estabelecida"; "Fraudes no ENEM atrapalha a vida das universidades que aderiram à nova forma de ingresso proposta pelo MEC".
O que sinceramente esperamos é que o MEC não se exima da responsabilidade de dar condições para que os milhares de alunos, hoje matriculados na Unitins, concluam seus cursos. O que queremos é que a Unitins possa ser fortalecida e continue sendo tão importante para o nosso Estado.
Que o vencedor não seja o MEC. Mas que sejam os alunos e o nosso povo tão carente de conhecimento.